Investigadores do projeto Poll-Ole-GI SUDOE

A instalação das caixas ninho vai servir para estudar a variedade de espécies de abelhas silvestres que habitam nas zonas de estudo. Para levar a cabo esta investigação prática, os membros do projeto Poll-Ole-GI criaram o que se denomina como infraestruturas verdes, ou seja, além da instalação das caixas ninho, foram semeados dez tipos de plantas autóctones. Estas irão permitir que as abelhas possam dispor de um espaço com comida e residência.

Desta forma pretendemos melhorar as condições de habitabilidade das abelhas domésticas ou dos abelhões, mas também as condições das abelhas silvestres, tal como exposto por Violeta Hevia, investigadora da Universidade Autónoma de Madrid: “Tentamos favorecer não só a presença de espécies com muita área de voo (como a abelha doméstica ou os abelhões) ou que podem nidificar no solo, como também das abelhas silvestres que nidificam em estruturas similares às canas das nossas caixas ninho.”

Abelha silvestre a entrar numa caixa ninho

Abelha silvestre a entrar numa caixa ninho

As caixas ninho são os lugares ideais para que as abelhas possam estabelecer as suas larvas. Para a criação destas residências pode-se utilizar desde um tronco de madeira com orifícios ou uma cana de cânhamo. Neste caso, as caixas ninho estão desenhadas para que nidifiquem principalmente abelhas silvestres. “Colocámos as canas com os diâmetros apropriados para a maioria de abelhas silvestres que podem nidificar neste tipo de estruturas. Este desenho foi desenvolvido com a assistência de investigadores especialistas em abelhas, como Jordi Bosch e Anselm Rodrigo.”, explica Violeta Hevia.

As infraestruturas verdes foram implementadas em 11 quintas da província de Burgos e em outras 11 de San Lorenzo de Parrilla, Cuenca; principalmente em culturas de girassol e colza. Desta maneira, pretendemos estudar se as condições são adequadas para que as abelhas silvestres possam viver ali.

Exemplo de uma estrutura que serve como caixa ninho

Exemplo de uma estrutura que serve como caixa ninho

Além disso, se as abelhas silvestres puderem procriar nestas infraestruturas verdes, isto fará com que permaneçam na zona, tal como explicado por José González, investigador da UAM: “O fato de puderem procriar nas canas, fará com que no ano a seguir nasçam indivíduos novos, agora in situ na infraestrutura verde e talvez possam ficar ali até ao momento da floração do girassol.”

Com a instalação das infraestruturas verdes, pretendemos conseguir um aumento do número de abelhas silvestres na zona. Por sua vez, isto implica um aumento da polinização de culturas que iria beneficiar os agricultores, sendo as caixas ninho estruturas económicas e simples de instalar, tal como detalhado por Violeta Hesia: “Conseguimos a presença de um maior número de espécies de abelhas silvestres que vão polinizar as suas culturas, graças a uma estrutura fácil de colocar, reutilizável e bastante económica.”

Vista geral de uma infraestrutura verde

Vista geral de uma infraestrutura verde

Algumas recomendações para a criação das caixas ninho são as seguintes: elevar as caixas ninhos a 60 ou 70 cm de altura, de maneira a estarem orientadas para Este e que o diâmetro dos orifícios onde as abelhas vão viver seja de entre 0,3 mm e 0,8mm.

O objetivo deste estudo é comparar os resultados com o de outras 11 quintas que têm algo que conhecemos como “manchas naturais da paisagem”, ou seja, que dispõem das condições naturais para que as abelhas silvestres habitem nas mesmas. Os primeiros resultados reais desta investigação serão conhecidos no principio de 2018.

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